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Calcule seu piso por hora e converta em preço por palavra e por lauda — a unidade que o mercado de texto usa para negociar.
Redator quase nunca fecha contrato dizendo "R$ X por hora". O mercado de texto negocia por palavra ou por lauda — e é justo perguntar por quê, já que ninguém cronometra quanto tempo você levou para escrever. A resposta é prática: para quem contrata, palavra e lauda são unidades fáceis de comparar entre fornecedores e fáceis de prever o tamanho da fatura antes de encomendar o texto. Para você, o problema é que essa unidade não tem relação nenhuma com o seu custo de vida — só a hora tem.
A calculadora abaixo resolve isso em duas etapas. Primeiro, monta o seu piso por hora a partir dos seus custos reais. Depois, o módulo de conversão logo abaixo traduz esse piso em preço por palavra e por lauda, usando a sua velocidade real de escrita — não uma média genérica de mercado que ninguém sabe de onde saiu.
O cliente pede orçamento por palavra ou por lauda. Aqui você usa a sua velocidade real de escrita para chegar nesse número sem perder o seu piso por hora.
Antes de preencher o campo "custos do negócio" da calculadora acima, passe por esta lista. Redator costuma achar que o único custo do trabalho é o tempo — mas há assinaturas e gastos recorrentes que raramente entram na conta:
Vale destravar uma confusão comum antes de qualquer coisa: não existe uma definição legal de lauda. O que existe são convenções de mercado, diferentes conforme o setor. No jornalismo, convencionou-se historicamente 1250 caracteres com espaço como referência de lauda. No mercado de tradução, a convenção mais comum é 2100 caracteres com espaço (ou o equivalente a 1000 caracteres sem espaço, dependendo de quem está calculando). Nenhuma das duas é uma regra fixada por lei ou por um órgão regulador — são só pontos de referência que o mercado adotou para facilitar comparação de preço entre fornecedores.
Isso importa na prática porque, se um cliente diz "eu pago R$ X por lauda", a primeira pergunta deveria ser: lauda de quantos caracteres? Um cliente que assume 2100 caracteres e outro que assume 1250 estão, na prática, pagando valores por palavra bem diferentes com o mesmo número anunciado. O módulo de conversão desta página deixa esse número explícito e editável exatamente por isso — porque a lauda "padrão" muda de setor para setor, e cabe a você (ou ao contrato) dizer qual está sendo usada.
Na dúvida, a saída mais segura é orçar por palavra em vez de por lauda, e converter para lauda só na hora de apresentar o número final ao cliente, deixando claro qual convenção de caracteres foi usada. Isso evita o mal-entendido de "achei que era lauda de 1250 e você cobrou como se fosse de 2100".
Existe um problema estrutural em cobrar estritamente por palavra: ele recompensa quem enrola o texto e pune quem sabe dizer a mesma coisa em menos espaço. Um redator experiente frequentemente entrega em 600 palavras bem construídas o que um texto mediano faria em 1200 — e se o preço é só "por palavra", esse redator está sendo pago menos por fazer um trabalho melhor.
A correção mais direta é não vender só "preço por palavra final", mas embutir nele o valor da pesquisa e do enxugamento. Na prática: em vez de calcular o preço olhando só para o tamanho do texto entregue, use como referência as horas reais que o texto exigiu (pesquisa, estrutura, escrita, revisão) — que é exatamente o que o módulo de conversão acima faz ao pedir a sua velocidade real de produção, e não uma tabela fixa de mercado.
Outra saída, comum entre redatores mais experientes, é vender pacotes por escopo (um artigo de blog completo, por exemplo) em vez de por contagem de palavra pura. Isso também resolve outro efeito colateral do "preço por palavra": o cliente pedindo para "encher" o texto até bater uma meta de palavras que não tem relação nenhuma com a qualidade do conteúdo.
Um erro recorrente de quem está começando é achar que só a escrita em si é o produto vendido. Pesquisar uma fonte primária, entrevistar um especialista, ler a documentação técnica de um produto antes de escrever sobre ele — tudo isso é trabalho, muitas vezes mais demorado do que a redação propriamente dita, e precisa estar dentro das horas que alimentam a calculadora acima, mesmo que o cliente só veja o texto final.
O mesmo vale para as rodadas de revisão. Assim como acontece com designer e revisão de arte, o texto tem o equivalente ao "só um ajustinho": trocar o tom, encurtar um parágrafo, "deixar mais como a nossa marca fala". Vale a pena definir, na proposta, quantas rodadas de ajuste estão incluídas e o que conta como ajuste de tom (razoável, dentro do escopo original) versus reescrita (mudança de direção, conta como um segundo trabalho).
Pauta ou briefing ruim é a causa mais comum de retrabalho não pago em redação. Um briefing vago — "escreve algo sobre o produto, você que é o especialista" — costuma gerar dois ou três textos até acertar o que o cliente realmente queria, e cada um desses textos consome tempo real seu. Cobrar uma etapa de briefing estruturado (ou recusar orçar sem um mínimo de informação) protege contra essa armadilha específica; é um combinado que vale colocar por escrito antes de aceitar o job.
Boa parte do trabalho de redação freelancer é ghostwriting: você escreve, outra pessoa assina — seja um post de LinkedIn de executivo, um artigo institucional ou um livro. Isso é legítimo e comum no mercado, mas precisa estar claro em contrato o que está sendo vendido: normalmente, os direitos patrimoniais sobre o texto são cedidos ao cliente mediante pagamento, e você concorda em não reivindicar autoria pública sobre aquele conteúdo específico.
Vale diferenciar dois cenários. No trabalho com crédito (artigo assinado, texto de blog com seu nome), você mantém o reconhecimento de autoria, o que costuma justificar um valor diferente do ghostwriting puro — inclusive porque o texto assinado serve como portfólio público, e o ghostwriting não. No trabalho sem crédito, o silêncio sobre a autoria faz parte do que está sendo comprado, e isso tem valor: você está abrindo mão de usar aquele texto como prova de trabalho.
Não é preciso um contrato complexo para deixar isso resolvido — um parágrafo simples dizendo se o texto pode ou não ser citado no seu portfólio, e se a autoria é sua ou do cliente, evita boa parte dos desentendimentos que aparecem meses depois, quando um dos lados assume algo que o outro nunca combinou.
Redator freelancer costuma ter vários clientes recorrentes, cada um com um valor de palavra ou pacote diferente combinado. O Freelance Ledger é um CRM grátis no Notion pra você não perder o fio de quem já pagou e quem ainda deve.
Grátis, é só duplicar no seu Notion. Existe uma versão paga com o módulo financeiro (US$29) — a grátis funciona sozinha, sem prazo.
Não existe uma tabela de mercado confiável — o valor certo depende da sua velocidade real de produção (pesquisa incluída) e do seu piso por hora, que cobre os seus custos de vida e de negócio. É essa conta que o módulo de conversão desta página faz, usando os seus números, não uma média genérica.
Não. 1250 caracteres com espaço é a convenção mais comum no jornalismo, mas o mercado de tradução costuma usar 2100. Não existe definição legal única — é sempre melhor confirmar com o cliente qual convenção de caracteres está sendo usada antes de fechar o valor por lauda.
Depende do tipo de trabalho. Para textos com escopo bem definido (artigo de blog, release, descrição de produto), cobrar por palavra ou por pacote costuma ser mais fácil de negociar. Para trabalhos de pesquisa intensa, entrevista ou consultoria editorial, cobrar por hora ou por pacote de horas evita que você seja punido por escrever de forma enxuta.
Pode cobrar separado ou embutir no preço final — o que não pode é ignorar esse tempo na conta. Se a pesquisa for extensa (entrevista com fonte, leitura de material técnico), vale deixar isso explícito na proposta como uma etapa com horas próprias, para que o cliente entenda por que aquele texto custa mais que um texto padrão.
Não existe um número universal, mas definir um limite explícito no contrato (por exemplo, um número fixo de rodadas de ajuste de tom incluídas) evita que o texto entre num ciclo indefinido de reescrita. Mudança de direção do texto, diferente de ajuste de tom, deveria ser tratada como um trabalho novo.
Pode mudar, dependendo do seu critério: alguns redatores cobram um valor diferente para textos sem crédito de autoria, já que o texto não pode ser usado como portfólio público. O importante é deixar escrito, antes de começar, se a autoria é sua ou do cliente e se o texto pode ser citado no seu material de divulgação.
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