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Preencha seus custos reais e veja seu piso por hora — depois converta em preço por palavra de origem e por lauda de tradução.
Tradução é um dos poucos ofícios freelancer em que o mercado já negocia numa unidade objetiva — a palavra — e ainda assim a maioria dos tradutores autônomos não sabe dizer, com segurança, quanto vale a própria hora. O problema é que preço por palavra sem saber sua velocidade real de trabalho é um número solto: você pode estar cobrando um valor que parece razoável no orçamento e descobrir, só no fim do mês, que trabalhou por menos do que precisava.
A calculadora abaixo resolve isso na ordem certa: primeiro define o seu piso por hora a partir dos seus custos de vida, custos de negócio (assinatura de CAT tool, dicionários especializados, certificações) e da sua margem. Depois, um segundo módulo converte esse piso em preço por palavra e por lauda — as duas unidades em que o mercado de tradução realmente fecha contrato.
O mercado de tradução negocia por palavra do texto de origem — aqui você traduz seu piso por hora nessa unidade, e também na lauda usada em contratos maiores.
Antes de fechar um orçamento, confira se você considerou estes pontos — cada um muda o preço final, e a maioria só aparece depois que o trabalho já começou:
O mercado de tradução resolveu há muito tempo um problema que outras áreas de texto ainda enfrentam: em qual unidade cobrar. A resposta setorial é a palavra — mas especificamente a palavra do texto de origem, aquele que o cliente te envia, e não do texto final que você entrega. Essa escolha não é acidente: ela dá ao cliente uma coisa rara em serviço criativo, que é previsibilidade total de custo antes mesmo de o trabalho começar. Ele abre o arquivo, roda uma contagem de palavras, multiplica pelo seu preço e sabe exatamente quanto vai pagar.
Cobrar pela origem também protege você de um problema estrutural da tradução: o texto final quase nunca tem o mesmo número de palavras do texto original. Dependendo do par de idiomas, do registro do texto e das convenções gramaticais de cada língua, a versão traduzida pode ficar mais longa, mais curta, ou variar de um jeito difícil de prever antes de traduzir. Se você cobrasse pelo texto de chegada, o cliente não saberia o preço até você terminar — e você teria um incentivo (mesmo que involuntário) para deixar o texto mais longo. Cobrando pela origem, o incentivo desaparece e o preço fica combinado antes de a primeira palavra ser traduzida.
Isso não significa que a diferença de tamanho entre origem e destino seja irrelevante para você. Ela afeta diretamente quanto tempo o texto vai tomar — um par de idiomas em que o destino costuma ficar bem mais longo exige mais digitação, mais revisão, mais tempo de tela, mesmo cobrando pela mesma contagem de origem. Isso é exatamente o tipo de coisa que deve estar refletida no seu preço por palavra, calibrado pela sua velocidade real naquele par específico — não em uma tarifa extra cobrada à parte.
Um erro comum de quem está começando é tratar “tradução” como um serviço único com um preço único. Na prática, são pelo menos três mercados com estruturas de preço, cliente e risco diferentes, e vale a pena decidir conscientemente em qual (ou quais) você atua. Tradução técnica — manual, contrato, laudo, bula, documentação de software — costuma exigir glossário, consistência terminológica rígida e, às vezes, ferramenta de memória de tradução obrigatória do cliente. O valor por palavra tende a refletir essa exigência de precisão e a curva de aprendizado do vocabulário do setor.
Tradução juramentada é um caso à parte e merece cuidado redobrado: ela exige tradutor público concursado e, na maior parte dos estados brasileiros, segue uma tabela de emolumentos definida pela junta comercial do estado onde o tradutor é registrado. Isso significa que não é uma decisão sua de precificação — é uma tabela oficial que você precisa consultar diretamente com a junta comercial do seu estado antes de orçar qualquer documento juramentado. Não existe aproximação segura aqui: o valor certo é o valor publicado, atualizado, para a sua jurisdição.
Tradução literária segue outra lógica ainda: em geral negocia com editora, pode envolver adiantamento e, dependendo do contrato, participação em direitos autorais da obra traduzida — um modelo de remuneração bem diferente do preço por palavra avulso. Prazos também costumam ser mais longos e a revisão editorial faz parte do processo, não é um extra. Se você atua ou pretende atuar nesse mercado, vale estudar contratos editoriais especificamente, porque as cláusulas de direito autoral pesam tanto quanto o valor por palavra ou lauda.
A pós-edição de tradução automática — corrigir um texto que já saiu de uma máquina de tradução — se consolidou como serviço próprio, cobrado por palavra a um valor mais baixo que a tradução do zero. Faz sentido em tese: se a máquina já fez parte do trabalho, o tradutor gasta menos tempo. O problema é que esse raciocínio só funciona quando a saída da máquina é realmente boa — e isso varia demais para virar regra.
A armadilha é a seguinte: o cliente (ou a agência) fecha o preço de pós-edição achando que é uma revisão leve, mas entrega um texto de máquina cheio de erro de terminologia, frase mal formada ou sentido levemente torto — do tipo que engana numa leitura rápida e exige reescrever quase tudo para ficar correto. Nesse cenário, você faz o trabalho de tradução completa mas recebe o preço de revisão. É a diferença entre pós-edição leve (ajustar estilo e pequenos erros) e pós-edição completa (reescrever trechos inteiros), e o orçamento raramente distingue as duas até você abrir o arquivo.
A forma prática de se proteger é nunca fechar preço de MTPE sem antes ver uma amostra real do texto gerado pela máquina naquele projeto específico. Se a qualidade for ruim, negocie o valor de pós-edição completa (mais perto do preço de tradução do zero) ou cobre por hora até avaliar melhor o volume de correção necessário. Aceitar o preço baixo de pós-edição sem checar a fonte é, na prática, aceitar cobrar preço de revisão por um trabalho de tradução inteira.
Quem usa CAT tool trabalha com um recurso que não existe em outras áreas de texto: a memória de tradução, um banco de trechos já traduzidos anteriormente que a ferramenta reconhece automaticamente em textos novos. Quando um trecho do texto novo é idêntico ou muito parecido com algo que você (ou a agência) já traduziu antes, a ferramenta sinaliza isso como correspondência — no jargão do mercado, match. Repetições dentro do próprio texto e correspondências de 100% com a memória dão bem menos trabalho que uma frase inédita, e é convenção comum do setor aplicar desconto proporcional a esse esforço menor: quanto mais próxima a correspondência (o que as ferramentas chamam de fuzzy match), maior o desconto aceitável; texto sem nenhuma correspondência é cobrado no preço cheio da palavra nova.
Essa é uma prática de mercado, não uma regra fixa — cada agência e cada CAT tool define sua própria tabela de faixas, e você deve negociar a sua com base no volume real de correspondência que o relatório da ferramenta mostrar para aquele projeto específico, nunca de forma genérica. O ponto importante para você, tradutor autônomo, é que dar desconto por correspondência alta é razoável (o trabalho realmente é menor), mas dar o mesmo desconto para fuzzy match baixo — que ainda exige reler, ajustar contexto e corrigir — é entregar trabalho de tradução quase completa pelo preço de revisão.
Prazo entra na conta do mesmo jeito que em qualquer outro serviço: um volume grande de palavras exige um número mínimo de dias para manter qualidade, porque revisão apressada é onde erro de tradução escapa. Se o cliente pede prazo abaixo do que sua produtividade real permite, o caminho correto é acréscimo de urgência explícito — não aceitar o prazo e sacrificar a revisão. Deixe claro na proposta qual é o seu volume diário confortável de palavras; isso também educa o cliente sobre o que é um prazo razoável para o próximo projeto.
Tradutor freelancer costuma ter vários projetos rodando com agências e clientes diretos ao mesmo tempo, cada um com prazo e forma de pagamento diferentes. O Freelance Ledger é um CRM grátis no Notion feito pra isso.
Grátis, é só duplicar no seu Notion. Existe uma versão paga com o módulo financeiro (US$29) — a grátis funciona sozinha, sem prazo.
Pelo texto de origem, o que o cliente te envia. É a convenção do mercado e existe porque dá previsibilidade total de custo pro cliente antes de o trabalho começar — ele conta as palavras do arquivo original e já sabe o valor. O texto final quase nunca tem a mesma contagem, e essa diferença varia por par de idioma, não é motivo pra cobrar pela chegada.
Lauda é uma unidade de medida de texto usada em contratos e tabelas de honorários; 2100 caracteres (com espaço) é a convenção mais usada especificamente para tradução — diferente da lauda jornalística, que costuma usar 1250. É só uma convenção de mercado, não uma regra fixa; alguns contratos usam outro valor, então confirme sempre o que está escrito no seu.
Em geral sim, porque a oferta de tradutores qualificados naquele par é menor — não porque o texto em si seja mais difícil de traduzir. Um par com pouca concorrência sustenta preço por palavra mais alto do que um par muito comum, como inglês-português, onde a oferta de profissionais é grande.
Não. Tradução juramentada exige tradutor público concursado e, na maior parte dos estados, segue tabela de emolumentos definida pela junta comercial. Você precisa consultar o valor oficial vigente diretamente com a junta comercial do seu estado — não existe estimativa segura aqui, é uma tabela publicada, não uma decisão de precificação.
Pode valer, mas só depois de ver uma amostra real do texto gerado pela máquina naquele projeto. Se a qualidade for boa, o preço menor por palavra faz sentido porque o trabalho é menor. Se o texto de máquina estiver ruim, você acaba reescrevendo quase tudo e recebendo preço de revisão por um trabalho de tradução completa — negocie o valor antes de fechar, não depois de abrir o arquivo.
É prática comum do mercado de CAT tools dar desconto maior quanto mais próxima a correspondência com a memória de tradução — repetição e correspondência de 100% valem bem menos que uma frase inédita. Não existe uma tabela universal de percentual: cada agência define a sua, e você deve negociar com base no relatório de correspondência daquele projeto específico, não aplicar um desconto padrão sem olhar o volume real.
Não. Toda a conta roda no seu navegador. Nada do que você digita é enviado para servidor nenhum nem armazenado. É grátis e não pede cadastro.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação contábil ou jurídica. Tradução juramentada segue tabela de emolumentos própria de cada junta comercial estadual — consulte o valor oficial vigente antes de orçar. Para tributação, consulte um contador.
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