CalcFreela

CalcFreelaGuias › Como calcular preço por hora

Grátis · sem cadastro

Como calcular o preço por hora de freelancer, passo a passo

A conta de verdade tem seis números — nem um a mais. Aqui você levanta cada um, monta a fórmula e confere com um exemplo trabalhado do início ao fim.

Quase todo freelancer já fez essa conta na cabeça, do jeito errado: pega o que ganhava (ou gostaria de ganhar) por mês, divide por 160 ou 220 horas, e pronto — ali está o "preço por hora". É rápido, parece razoável e está errado de um jeito que custa caro. Essa conta ignora que você não fatura 160 horas por mês (tem imposto, tem mês parado, tem hora que você trabalha e não cobra), e ignora que o seu custo de vida sozinho não é o seu custo de operar como negócio.

Este guia não é sobre a calculadora — é sobre o método por trás dela: de onde vêm os seis números que compõem um preço por hora defensável, como levantar cada um sem chutar, e como conferir se o resultado faz sentido antes de colocá-lo numa proposta. No meio do caminho tem um exemplo trabalhado, do primeiro número até o preço final, pra você seguir com lápis e papel ao lado — ou com a calculadora desta página aberta em outra aba.

Preço por hora recomendado
R$ 0
R$ 0
mínimo (só cobre custos)
R$ 0
faturamento-alvo/mês
0 h
horas faturáveis/mês
⚡ Calculadora grátis por CalcFreela
Estes números são só um ponto de partida. Eles não representam nenhuma média nem "o que o mercado paga" — são valores editáveis para você trocar pelos seus, linha por linha, seguindo os seis passos deste guia.

Agora converta essa hora num orçamento fechado

O exemplo trabalhado deste guia termina num preço por hora. Mas quase ninguém orça em hora — orça em projeto. Use o conversor abaixo pra transformar a sua hora numa proposta com execução, revisão e margem de imprevisto.

Preço fechado do projeto
Só a execução
Custo das revisões
Horas totais reais

Já sabe o método — agora rode com os seus números

A calculadora de preço por hora faz exatamente a conta deste guia, campo por campo, e ainda converte pra pacote, projeto e urgência.

Abrir a calculadora de preço por hora →

Neste guia

  1. Por que salário ÷ horas está errado
  2. Os 6 números que compõem o preço por hora
  3. Exemplo trabalhado: Marina, redatora (fictício)
  4. Teste de realidade: o número faz sentido?
  5. Quando e como reajustar

Antes de calcular: reúna estes números com a mão na planilha, não de cabeça

O maior erro no cálculo do preço por hora não é usar a fórmula errada — é preencher a fórmula certa com números chutados. Antes de abrir a calculadora, separe estes dados. A maioria leva 20 minutos pra levantar e evita um preço fantasioso:

Por que a conta intuitiva (salário ÷ 160h) está errada — e quanto isso custa

A conta "quero ganhar R$ 6.000 por mês, divido por 160 horas, minha hora vale R$ 37,50" parece inofensiva, mas erra em três lugares ao mesmo tempo, e os três erros puxam o preço pra baixo.

O primeiro erro é assumir que 160 horas por mês são faturáveis. Elas não são. Dessas 160 horas, uma fatia real vai para orçamento, prospecção, reunião não remunerada, resposta de e-mail, organização de arquivo e correção de coisa que deu errado. Ninguém fatura 100% da própria jornada — nem CLT, que tem intervalo, reunião de alinhamento e treinamento pagos mas não "produtivos" no sentido estrito.

O segundo erro é tratar R$ 6.000 como se fosse só custo de vida. Um freelancer que fatura R$ 6.000 por mês não fica com R$ 6.000 — sai imposto, sai o custo de rodar o negócio (internet, software, equipamento, eventualmente contador), e ainda assim ele precisa sobrar alguma margem, porque sem margem qualquer imprevisto (um cliente que atrasa, um mês fraco, um computador que quebra) vira buraco financeiro.

O terceiro erro é o mais caro e o mais silencioso: dividir por um número de semanas que não existe na prática. Ninguém trabalha 52 semanas cheias por ano. Tem férias, tem feriado, tem doença, tem os dias entre um contrato terminar e o próximo começar. Se a sua conta assume 52 semanas de faturamento pleno e na vida real você trabalha 44, todo o seu preço por hora está sistematicamente abaixo do necessário — e você só vai perceber isso no fim do ano, quando fizer as contas e sobrar menos do que devia.

Juntos, esses três erros costumam empurrar o preço por hora "de cabeça" para bem abaixo do preço por hora "de planilha" — às vezes a diferença passa de 40%. Não é um erro de arredondamento: é a diferença entre fechar o mês no azul ou no vermelho fazendo o mesmo volume de trabalho.

Os 6 números que você precisa levantar — um por um

Todo cálculo de preço por hora sério se resume a seis entradas. Se você souber de onde tirar cada uma, o resto é aritmética. Aqui está como levantar cada número sem chutar.

1. Custo de vida mensal. Some tudo que você precisa para viver — moradia, alimentação, transporte, saúde, lazer, o que for — não incluindo nada do trabalho. A fonte confiável é o extrato bancário dos últimos três meses, não a memória. Se você não tem esse número exato, esse é o primeiro dever de casa antes de calcular qualquer coisa.

2. Custo de negócio mensal. Assinaturas de software, internet, celular usado pra trabalho, aluguel de espaço se tiver, equipamento (amortizado — divida o valor pelos meses de vida útil esperada), contador se tiver, taxas de plataforma. É tudo que você gastaria a menos se parasse de trabalhar amanhã, mas que hoje é custo de operar.

3. Horas faturáveis por semana. Não é a sua jornada — é a fatia dela que vira fatura. Olhe o calendário das últimas semanas reais (não uma semana ideal hipotética) e conte quantas horas foram de execução paga. O resto — prospecção, orçamento, e-mail, reunião não remunerada — existe, consome tempo, mas não entra aqui.

4. Semanas de trabalho por ano. 52 menos férias, feriados que você não fatura, dias de doença esperados e o intervalo natural entre contratos. Para a maioria dos freelancers isso fica entre 42 e 48 semanas — o número exato depende só da sua realidade, não existe padrão.

5. Margem de lucro. A parte que sobra depois de cobrir custo de vida e custo de negócio — reserva de emergência, reinvestimento, crescimento, ou simplesmente o "lucro" de ter um negócio e não só um salário disfarçado. Sem esse número, você está precificando pra empatar, não pra prosperar.

6. Impostos e taxas. A porcentagem que sai antes de o dinheiro ser seu de verdade — enquadramento tributário, taxa de plataforma, taxa de gateway de pagamento, imposto sobre nota fiscal. Não invente um número: pegue a guia real do mês passado (DAS, se for MEI, ou a apuração do seu regime) e some as taxas de recebimento que você paga hoje.

A fórmula, em texto claro, é: (custo de vida + custo de negócio) dividido pelas horas faturáveis do ano (horas por semana vezes semanas por ano) resulta no seu custo por hora. Some a margem de lucro sobre esse valor, depois embuta o percentual de impostos e taxas — porque esse percentual sai depois de você receber, então precisa estar embutido para o valor líquido bater com o que você planejou. O resultado final é o seu piso por hora: o valor abaixo do qual você está, na prática, trabalhando de graça ou no prejuízo.

Exemplo trabalhado: Marina, redatora (exemplo ilustrativo — não é um caso real)

Para deixar o método concreto, segue um exemplo fictício, ponto por ponto. Marina não existe — é uma composição didática para você seguir a conta com números fixos antes de trocar pelos seus.

Passo 1 — Custo de vida: Marina revisou o extrato dos últimos três meses e chegou a R$ 3.200 por mês em gastos pessoais (aluguel, contas, alimentação, transporte, saúde).

Passo 2 — Custo de negócio: ela soma assinatura de ferramenta de edição de texto, internet, uma parte do celular, e um valor mensal reservado para trocar o notebook daqui a três anos. Total: R$ 450 por mês.

Passo 3 — Horas faturáveis por semana: olhando as últimas semanas reais no calendário, ela conta em média 22 horas de execução paga por semana — o resto do tempo de trabalho vai para prospecção, orçamento e e-mail, que não entram na conta.

Passo 4 — Semanas por ano: ela planeja 4 semanas de férias, alguns feriados e um intervalo esperado entre contratos, o que dá 44 semanas de faturamento no ano.

Passo 5 — Margem: ela decide trabalhar com 20% de margem sobre o custo, para ter reserva e não viver no limite.

Passo 6 — Impostos e taxas: olhando a guia do mês anterior e a taxa da plataforma que usa para receber de um cliente, ela soma 10% de impostos e taxas.

Agora a conta, em ordem: custo mensal total é R$ 3.200 + R$ 450 = R$ 3.650. Custo anual: R$ 3.650 × 12 = R$ 43.800. Horas faturáveis no ano: 22 horas × 44 semanas = 968 horas. Custo por hora, sem margem nem imposto: R$ 43.800 ÷ 968 = aproximadamente R$ 45,25.

Aplicando a margem de 20%: R$ 45,25 × 1,20 = R$ 54,30. Embutindo 10% de impostos e taxas (dividindo por 0,90, porque esse percentual sai do valor recebido, não se soma antes): R$ 54,30 ÷ 0,90 = aproximadamente R$ 60,33 por hora.

Esse é o piso por hora de Marina neste exemplo: abaixo de R$ 60 e pouco, ela está literalmente trabalhando por menos do que precisa para cobrir vida, negócio, margem e imposto — mesmo que o cliente ache o valor razoável. Esse número não é uma tabela de mercado, é o resultado da conta dela, com os números dela. Trocando qualquer um dos seis dados, o resultado muda — e é exatamente por isso que copiar o preço por hora de outra pessoa não funciona.

Teste de realidade: o número que saiu da conta faz sentido?

Fazer a conta é a parte fácil. A parte que separa quem precifica bem de quem precifica no papel é perguntar, depois: esse número sobrevive ao contato com a realidade? Três perguntas ajudam a testar.

Sua agenda comporta essas horas de verdade? Volte no passo 3 do método. Se você calculou com base em 30 horas faturáveis por semana mas o seu histórico real mostra 18, o preço por hora resultante é otimista demais — ele assume um volume de trabalho que você não tem conseguido sustentar. Ou você aumenta as horas de verdade (o que muitas vezes não está sob seu controle total), ou o preço por hora precisa subir para compensar a diferença.

O mercado que você atende comporta esse valor? Aqui a resposta não vem de uma tabela — vem de conversas reais, editais, propostas que você já recebeu ou perdeu, e do tipo de cliente que você quer atender. Se o número calculado está claramente fora da faixa que o seu público paga, isso não significa que a conta está errada; significa que existe uma tensão real entre o que custa sustentar o seu negócio e o que aquele mercado específico paga — e essa tensão precisa ser resolvida, não ignorada.

Se a resposta a qualquer uma das duas for "não", o que ajustar não é a fórmula — é uma das três variáveis dela: custo, horas ou posicionamento. Reduzir custo significa cortar gasto de negócio ou de vida (nem sempre possível, nem sempre desejável). Aumentar horas faturáveis significa vender mais do seu tempo (tem teto — ninguém fatura 60 horas por semana de forma sustentável). Mudar posicionamento significa mirar num público que paga o que o seu negócio custa para existir — o que costuma envolver mudar de nicho, de portfólio ou de canal de captação, e é a alavanca mais lenta das três, mas geralmente a mais sólida.

Um preço por hora que passa nesse teste de realidade não é necessariamente confortável — pode ser um número que exige trabalho para alcançar. Mas ele é honesto: ele diz exatamente o que precisa mudar para a conta fechar, em vez de esconder o problema atrás de um desconto silencioso no fim do mês.

Quando e como reajustar o preço por hora

O preço por hora não é uma decisão de uma vez na vida — é um número vivo, que muda porque os seis dados que o compõem também mudam. Existem três gatilhos claros para revisar a conta.

O primeiro é qualquer mudança estrutural nos seus custos: aluguel subiu, você trocou de plano de saúde, comprou um equipamento novo, mudou de enquadramento tributário. Cada uma dessas mudanças altera o passo 1, 2 ou 6 do método — e se você não refizer a conta, está cobrando com base num custo que não existe mais.

O segundo é uma mudança real na sua capacidade de entrega: você ficou mais rápido, aprendeu uma ferramenta que corta tempo pela metade, ou pelo contrário, um novo tipo de projeto está tomando mais horas do que o esperado. Isso altera diretamente as horas faturáveis (passo 3) ou a relação entre horas e entrega — e é motivo legítimo para reajustar, seja para cima ou para baixo.

O terceiro é simplesmente tempo: revisar a conta a cada seis a doze meses, mesmo sem nenhum gatilho óbvio, porque custo de vida sobe de forma silenciosa e a maioria das pessoas só percebe quando o aperto já está grande. Marcar uma revisão periódica no calendário é mais confiável do que esperar sentir o problema.

Quando o número mudar, reajuste primeiro nos clientes novos e nas propostas em aberto — e avise clientes recorrentes com antecedência, como você gostaria de ser avisado se fosse o cliente. Reajuste não precisa de justificativa detalhada de cada linha da planilha; precisa de aviso claro e de prazo razoável para o cliente se organizar.

Você calculou o preço. Agora falta saber quem já deve, quanto, e desde quando.

Fazer a conta certa uma vez não adianta se você perde o controle de quem pagou sinal, quem está com parcela final atrasada e qual proposta ainda não teve resposta. O Freelance Ledger é um CRM grátis no Notion feito pra isso.

Pegar o CRM grátis no Notion →

Grátis, é só duplicar no seu Notion. Existe uma versão paga com o módulo financeiro (US$29) — a grátis funciona sozinha, sem prazo.

Perguntas frequentes

Qual é a fórmula do preço por hora de freelancer?

Some custo de vida mensal com custo de negócio mensal, multiplique por 12 para ter o custo anual, e divida pelas horas faturáveis do ano (horas faturáveis por semana × semanas de trabalho no ano). Esse resultado é o seu custo por hora. Depois some a margem de lucro desejada e embuta o percentual de impostos e taxas, dividindo pelo complemento dele — por exemplo, para 10% de impostos, divida por 0,90.

Por que dividir salário por 160 horas está errado?

Porque 160 horas por mês raramente são todas faturáveis — parte vira prospecção, orçamento e e-mail — e porque essa conta costuma esquecer custo de negócio, margem e imposto embutido. O resultado sistematicamente sai mais baixo do que o necessário para o negócio se sustentar de verdade.

Quantas horas faturáveis um freelancer tem por semana, na prática?

Não existe um número universal — depende do tipo de trabalho e da fase do negócio. A forma correta de descobrir é olhar o calendário das últimas semanas reais e contar quanto tempo virou execução paga, sem incluir prospecção, reunião não remunerada e organização administrativa.

O exemplo da Marina serve como referência de preço para a minha área?

Não. É um exemplo fictício e ilustrativo, montado só para mostrar a mecânica da conta passo a passo. Os números de Marina refletem custos e horas que ela (fictícia) levantou — os seus serão diferentes, e é isso que a calculadora existe para calcular com os seus dados reais.

Meu preço calculado ficou mais alto do que o mercado costuma pagar. E agora?

Isso é um sinal para investigar, não para ignorar a conta. Confira se as horas faturáveis do cálculo são realistas, revise se algum custo pode ser reduzido sem prejudicar o trabalho, e considere se o público que você está mirando de fato paga o que o seu negócio custa para existir — às vezes a resposta é mudar de posicionamento, não baixar o preço.

Com que frequência devo recalcular meu preço por hora?

Recalcule sempre que um dos seis números mudar de forma relevante (custo de vida, custo de negócio, horas faturáveis, semanas de trabalho, margem desejada ou impostos), e também periodicamente — a cada seis a doze meses — mesmo sem gatilho óbvio, porque custo de vida sobe de forma gradual e silenciosa.

Preciso cobrar exatamente o preço por hora calculado?

O valor calculado é o seu piso, não um preço fixo obrigatório. Você pode e geralmente deve negociar acima dele, principalmente ao converter para preço de projeto, pacote ou urgência. O que a conta impede é cobrar abaixo desse piso sem perceber.

Continue por aqui

Calculadora de preço por horaRode o método deste guia com os seus próprios números.Quanto um MEI deve cobrarComo o DAS fixo e o limite de faturamento mudam essa conta.Erros de precificação que quebram freelancerOs erros mais comuns além da conta salário ÷ horas.Preço por hora ou por projeto?Quando faz sentido converter a hora calculada em preço fechado.

Tem um site ou blog? Incorpore esta ferramenta de graça

Cole este código e ofereça a ferramenta aos seus leitores — grátis, sempre atualizada, sem cadastro pra eles.