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Preencha seus custos reais e veja seu piso por hora — depois converta no preço real da aula, com preparo, deslocamento e pacote mensal.
Quem dá aula particular costuma cair numa armadilha simples: cobrar pela hora de relógio da aula em si, como se o trabalho começasse quando o aluno senta e terminasse quando ele levanta. Na prática, uma hora de aula raramente custa uma hora do seu tempo. Existe preparo antes, correção depois, e — se a aula é presencial — o deslocamento até a casa do aluno ou do local combinado. Ignorar isso é a razão número um pela qual professor particular trabalha muito e sobra pouco no fim do mês.
A calculadora abaixo separa as duas contas. Primeiro, o seu piso por hora, a partir dos seus custos de vida e de negócio. Depois, um segundo módulo converte esse piso no preço real da aula — somando preparo e deslocamento ao tempo de aula em si — e projeta o pacote mensal, que é como a maior parte dos alunos particulares realmente contrata.
A duração da aula é só uma parte do seu tempo. Este módulo soma preparo e deslocamento e mostra o preço real por aula avulsa e por pacote mensal.
Antes de fechar o valor da aula, confira se você considerou estes pontos — são eles que separam o professor que sobrevive de mês a mês do que consegue planejar:
O erro mais comum de quem começa a dar aula particular é multiplicar o preço/hora pela duração da aula e parar por aí. Mas o tempo de relógio da aula é só a parte visível do trabalho. Antes dela, existe preparo: escolher o que vai ser trabalhado, montar exercícios, revisar um conteúdo que talvez você não ensine há um tempo. Depois, existe correção: revisar o que o aluno fez, anotar o que precisa ser retomado na próxima aula. Nenhuma dessas duas partes aparece no relógio da aula, mas as duas são trabalho — e se você não as coloca no preço, está fazendo elas de graça.
Some a isso o deslocamento, quando a aula é presencial. Ir até a casa do aluno, ou até um ponto de encontro combinado, consome tempo e dinheiro (transporte, combustível, desgaste) que também não está no relógio da aula, mas está no seu dia. É por isso que o módulo de conversão desta página pede a duração da aula, os minutos de preparo e os minutos de deslocamento separadamente: o resultado — o "tempo real por aula" — costuma ser bem maior que a hora contratada, e é esse número, não a duração isolada, que deveria orientar o preço.
Existe ainda um problema mais sutil: a janela morta entre aulas. Se você dá aula às 14h e a próxima só às 17h, esse intervalo de três horas não é livre — ele está reservado, ainda que ocioso, porque não dá tempo de encaixar outro compromisso relevante ali no meio, especialmente se envolve deslocamento. Esse tempo também é, na prática, tempo que o seu trabalho está consumindo, mesmo sem gerar aula nenhuma dentro dele. Professores que dão aula presencial espalhada por bairros diferentes da cidade sentem isso com mais força — e é uma das razões pelas quais vale considerar concentrar geograficamente os alunos presenciais quando possível.
A aula online elimina o deslocamento — e isso, sozinho, já muda a conta inteira, porque libera tempo que antes ia embora em trânsito e reduz a janela morta entre um aluno e outro, já que você pode encaixar aulas mais próximas umas das outras sem se preocupar com trajeto. Por outro lado, ela troca esse custo por outro: você precisa de internet estável, equipamento adequado (câmera, microfone, às vezes lousa digital) e, dependendo da disciplina, ferramentas de compartilhamento de tela e arquivo que também são parte da sua estrutura de trabalho.
Um ponto que costuma pegar quem está migrando para online: a concorrência nesse formato tende a ser mais ampla, porque o aluno não está mais restrito a professores da própria cidade ou bairro. Isso não significa que você precise baixar o preço — significa que o seu diferencial (especialidade na disciplina, resultado, didática, disponibilidade de horário) precisa estar claro na forma como você se apresenta, porque o aluno tem mais opções para comparar.
Na prática, o mais honesto é calcular as duas contas separadamente: rode o módulo de conversão uma vez com deslocamento zerado (para simular a aula online) e outra vez com o tempo real de trajeto até seus alunos presenciais. Você provavelmente vai chegar a dois preços de aula diferentes — e isso é correto, porque são dois produtos diferentes, com estrutura de custo e de tempo diferente, mesmo ensinando o mesmo conteúdo.
O pacote mensal é como a maioria dos alunos particulares efetivamente contrata: um número fixo de aulas por mês, com desconto em relação ao preço da aula avulsa, em troca de previsibilidade de agenda para você. Isso é um trade justo — só que ele só funciona se as aulas realmente acontecerem. E é exatamente aí que mora o item que mais gera prejuízo silencioso no ensino particular: a falta e a remarcação sem regra clara.
O problema estrutural é este: quando um aluno cancela em cima da hora, o horário que estava reservado para ele não pode ser preenchido com mais nada — nem com outro aluno, nem com outra tarefa remunerada. Você já reservou aquele bloco de tempo (inclusive, se for presencial, provavelmente já se deslocou ou estava a caminho). Se a política é "remarcar sempre, sem custo, para qualquer aviso", cada falta de última hora vira uma aula que você trabalhou para reservar e não recebeu — o pacote deixou de cobrir o que ele deveria cobrir.
A solução não é rigidez sem contexto, é ter uma regra escrita e combinada antes da primeira aula: qual é o prazo mínimo de aviso para remarcar sem custo, o que acontece com falta sem aviso, e se aulas remarcadas têm prazo de validade dentro do mês. Você decide os números — o importante é que existam e estejam combinados antes, não negociados aula por aula, porque negociar toda vez transforma um problema de agenda em uma conversa desconfortável recorrente.
Aula em grupo abre duas formas de precificar, e elas dão resultados bem diferentes. A primeira é preço por aluno: cada aluno paga um valor menor que a aula individual, e o total que você recebe cresce com o tamanho do grupo — o risco é que, se um ou dois alunos faltarem ou desistirem, sua receita daquele horário cai proporcionalmente. A segunda é preço da turma fechada: você cobra um valor fixo pelo horário, independente de quantos alunos aparecem, e quem organiza a divisão entre os alunos é o próprio grupo. A segunda protege a sua receita; a primeira costuma ser mais fácil de vender porque o valor individual parece menor.
Material didático próprio — apostila, lista de exercícios organizada, resumo de conteúdo — é outro ponto que costuma ficar de fora do preço. Se você produz esse material, ele levou tempo para ser criado e leva tempo para ser atualizado; isso é trabalho, seja cobrado como parte da mensalidade, seja como um item à parte para quem quer o material fora do horário de aula. Reaproveitar o material entre alunos diferentes reduz o custo de produzir de novo a cada vez, mas não zera — atualizar continua sendo trabalho.
Por fim, a sazonalidade: a procura por aula particular não é constante ao longo do ano. Períodos como véspera de prova, vestibular ou fechamento de bimestre concentram pedidos numa janela curta, e isso pressiona sua agenda — você recebe mais pedidos do que consegue atender ao mesmo tempo. Nessas janelas, é razoável dar prioridade a quem já é aluno regular antes de aceitar aluno novo, e reavaliar se o preço da aula avulsa (fora do pacote) reflete essa demanda concentrada, sempre deixando claro para o aluno o motivo da sua disponibilidade limitada naquele período.
Professor particular costuma ter vários alunos em pacotes diferentes, com aula remarcada, mensalidade a vencer e material para enviar. O Freelance Ledger é um CRM grátis no Notion feito pra isso.
Grátis, é só duplicar no seu Notion. Existe uma versão paga com o módulo financeiro (US$29) — a grátis funciona sozinha, sem prazo.
Não existe uma tabela pronta que sirva pra todo mundo. O valor certo é o que cobre os seus custos de vida e de negócio, dividido pelas suas horas realmente faturáveis (descontando janela morta e deslocamento), com a sua margem e impostos embutidos. É essa conta que a calculadora desta página faz — o resultado é o seu piso, você pode negociar acima dele.
Não necessariamente menos — é uma conta diferente. A aula online elimina o custo e o tempo de deslocamento, mas exige equipamento e enfrenta concorrência mais ampla. Calcule as duas separadamente rodando o módulo de conversão com deslocamento zerado para a online e com o trajeto real para a presencial; compare os resultados em vez de supor um desconto padrão.
Multiplique o preço da aula avulsa (já com preparo e deslocamento embutidos) pelo número de aulas do mês e aplique um desconto que recompense a previsibilidade de agenda que o pacote te dá. O módulo de conversão desta página já faz esse cálculo — o ponto de atenção é garantir que sua política de falta proteja esse desconto.
Defina por escrito, antes da primeira aula, qual é o prazo mínimo de aviso para remarcar sem custo e o que acontece com falta sem aviso. O prejuízo não vem da falta em si, vem de não ter combinado nada antes — o horário reservado não pode ser preenchido com outra coisa, então ele precisa estar protegido por uma regra clara.
Cobrar pela turma fechada protege a sua receita, porque o valor não muda se um aluno faltar. Cobrar por aluno tende a ser mais fácil de vender, porque o valor individual parece menor, mas sua receita daquele horário fica exposta a falta e desistência. A escolha depende de quanto risco de oscilação você está disposto a carregar.
Não é obrigatório, mas se você produz apostila, lista de exercícios ou resumo autoral, esse tempo é trabalho e deveria estar refletido em algum lugar do preço — seja embutido na mensalidade, seja como item à parte. Reaproveitar material entre alunos reduz o custo de criar de novo, mas atualizar o conteúdo continua consumindo tempo seu.
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